ANSIEDADE PURA

Já não sei o que fazer,
O tempo não passa,
Nunca chega o momento
Por mais que eu faça.

Quando, onde e com quem?
Nada sei, hoje? Amanhã é o dia?
Tanta coisa eu passei,
Passei até todas as roupas,
Os sapatos eu lavei.

Já comi as unhas,
Nem lhes senti o gosto,
Agora como o meu dedo,
Sei não, acho que é desgosto.

E os dias vão chegando,
Todo dia chega um novo dia,
Mas não chega o meu dia,
E isso vai me matando.

Sofro com o relógio,
Nem olho mais o calendário,
Tento fazer as tarefas,
Mas elas somem para o armário.

Fico deitado esperando,
Que alguma coisa aconteça,
Não acontece nada,
Talvez eu nem mereça.

E já não tenho ânimo,
Nem comer estou comendo,
Acabou o meu interesse,
Posso até estar morrendo.
Morro quando e como?
Nem isso fico sabendo,
Seria melhor que eu morresse?
Por enquanto sigo vivendo...

Então tá, fico na espera,
Quem sabe é hoje,
Que se acalma a fera?
Tenho dúvidas, quem dera...
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