Porta para o esquecimento
Está ali uma porta
Mesmo à minha frente.
A fazer-se de morta.
A fazer-se de gente.
Vá para onde vá!
Seja para onde for
Não a passo já
Não a vou transpor!
Sei que vai fechar
Mal eu a transponha
Mas se aqui ficar
Fico com vergonha.
Quando ela se abre.
Ai que escuridão
Nem mesmo ela sabe
Onde fica o chão.
Parece não ter nada
Apenas um nome
Onde nasce a estrada
Que me mata a fome.
Sei que a vou passar
A vida é assim
Andar sem parar
Pra dentro de mim.
Volto a enganar-me!
Perco-me na porta
Quero emendar-me
Mas ela está morta!
Já vejo outra, aberta,
Ali à minha frente
Está tão deserta
No meio da gente.
São portas perdidas
Nunca são iguais,
Estradas paralelas
De encontro aos umbrais.
Sempre mais pequenas
São quase janelas…
Até que os meus olhos
Já não cabem nelas
Até que os meus olhos
Se fundem com elas.
Até que os meus olhos
São apenas delas….
1980
C. A. Afonso
Mesmo à minha frente.
A fazer-se de morta.
A fazer-se de gente.
Vá para onde vá!
Seja para onde for
Não a passo já
Não a vou transpor!
Sei que vai fechar
Mal eu a transponha
Mas se aqui ficar
Fico com vergonha.
Quando ela se abre.
Ai que escuridão
Nem mesmo ela sabe
Onde fica o chão.
Parece não ter nada
Apenas um nome
Onde nasce a estrada
Que me mata a fome.
Sei que a vou passar
A vida é assim
Andar sem parar
Pra dentro de mim.
Volto a enganar-me!
Perco-me na porta
Quero emendar-me
Mas ela está morta!
Já vejo outra, aberta,
Ali à minha frente
Está tão deserta
No meio da gente.
São portas perdidas
Nunca são iguais,
Estradas paralelas
De encontro aos umbrais.
Sempre mais pequenas
São quase janelas…
Até que os meus olhos
Já não cabem nelas
Até que os meus olhos
Se fundem com elas.
Até que os meus olhos
São apenas delas….
1980
C. A. Afonso
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