Horas esculturas

Aqui estou,
A esculpir a tarde com os olhos doridos
Rasos de imagens que segredam memórias,
Imagens que não querem desprender-se do tempo,
Agarradas a cada gesto de pensar
Como se a qualquer momento
Nascessem para me levar.

Aqui estou,
Colado aos dias com vontade alheia
A não ouvir o que sinto, não pensar o que sou,
A força do meu braço
É como a chama da vela que serpenteia,
Há um mar de sargaço
A insistir na orla da praia sobre a maré cheia.

Aqui estou,
Onde não há mais nada do que haver aqui
Tudo o que faça é real do que é
Irreal do que eu sou,
O mais que me ficou
Permanece onde senti,
Por detrás do horizonte dos homens sem fé.

14/03/2018
C. A. Afonso
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