O cheiro das palavras
As palavras
Cheiram a maresias
Cheiram a horas perdidas ou ganhas
Cheiram a tempo,
A peixe no pregão
Cheiram a meses e a dias,
Invisíveis e às vezes tamanhas
As palavras
Leva-as o vento
Cheiram a água da ribeira com sabão
cheiram a melodia
A vazio
Cheiram a razão
Cheiram a sim e a não
Cheiram a frio.
As palavras
Fervem por vezes entre a boca
Cheiram a infinito,
Bafo que nos sufoca
Cheiram a peixe frito.
Às vezes são silêncio
Outras, instante
Cheiram a sonho
Com sabor a amante.
As palavras
São por vezes indizíveis
Amargas ou magoadas
Um pedaço de impossível
Ásperas e alheadas.
Cheiram a tempo perdido
Por entre o coração
Perdidas no ouvido
Esquecidas do que são.
18/03/2019
C. A. Afonso
Cheiram a maresias
Cheiram a horas perdidas ou ganhas
Cheiram a tempo,
A peixe no pregão
Cheiram a meses e a dias,
Invisíveis e às vezes tamanhas
As palavras
Leva-as o vento
Cheiram a água da ribeira com sabão
cheiram a melodia
A vazio
Cheiram a razão
Cheiram a sim e a não
Cheiram a frio.
As palavras
Fervem por vezes entre a boca
Cheiram a infinito,
Bafo que nos sufoca
Cheiram a peixe frito.
Às vezes são silêncio
Outras, instante
Cheiram a sonho
Com sabor a amante.
As palavras
São por vezes indizíveis
Amargas ou magoadas
Um pedaço de impossível
Ásperas e alheadas.
Cheiram a tempo perdido
Por entre o coração
Perdidas no ouvido
Esquecidas do que são.
18/03/2019
C. A. Afonso
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