Escritas

I-LXXXIX Jaezes de vida e morte

Murilo Porfírio
Que coisa sofrer pelo que não existe, o sinto nas palmas, vejo-me diante de suas garras,

e mal respiro pela dor que faz comigo, fingindo ser coisa do destino.

Os afagos que levei a ti, foram inúmeros, até um único que fez refletir:

Me ansiei pelo desgosto de ter que o criar com outro, apenas por mau gosto,

e agora mal sobra-me peito para o tempo que passa sem trazer cortejos.

Que mania tola de fazer da vida uma eterna caidela,

onde os bons momentos servem de peso para a dor da queda.

 

Aos nórdicos que criam arte apunhalando lagartos com asas,

às vidas que, por tesouros, foram colapsadas, às tristes coisas passadas:

Nunca nos sobra nada. Nem por mérito, nem por pena,

logo será a vez das memórias que perduram intensas.

Imploro por chances que estendam o fim deste romance,

por sorte durante a invasão das ruínas do norte,

que farei por paixão, pondo fim ao dragão que defende seu coração.

E às almas que me seguem caladas, que testemunhem

a tristeza que se disfarça do pouco homem que me escapa.