Escritas

I-LXXXVI Jaezes de vida e morte

Murilo Porfírio
À direita, em um sonho, avistei-me como um conto.

Convenciam-me da mentira, dando-me a chance da reconquista.

Vi-me buscar as paixões levadas, fiz uso de feitiços e sensatas palavras.

A busca do fim nunca foi assim, foi sempre o oposto do sonho:

Emergindo das fraquezas, sequelas dos traumas,

lembrando-me das ideias que perdi nesta alma.

Cumprindo vidas, largando sonhos,

fascinado pela inquisição dos assombros,

quase vi-me junto aos mortos.


Era cinza e era vida, eram almas corrompidas

que se deveras em mim pensassem,

eu serviria de inspiração à arte:

Felizardo os irmãos que, com os deveres

postos em mãos, mal lembram do coração,

dando à verdade uma cova, ao Deus serve de prova.