DELÍRIO OU IMAGINAÇÃO (1973)
Arrastado, ergo-me violentamente contra o poema,
poema cintilante de cristal, de orvalho colorido
doiradas as palavras afluem em gritos eléctrónicos
em génesis de medo e êxodos
pela estrada da imaginação, nebulosa e fria,
grotescas formas saltam, e acusam, e correm,
longas vestes transparentes e infinitas
repletas de minúsculos espelhos multicores...
no ar do meu poema, gaivotas cospem restos de fascismo,
adornadas de estrelas, livres, vermelhas...
rochas de plástico marginam o mar fotografado,
irisadas de sal, nenúfares e arvéolas,
sonhando que o Homem já chegou à lua !...
suor cristalizado escorre nas faces dos palhaços,
que não representam mas vivem a sua vida,
com estilhaços de bandeiras que não puderam aproveitar.
eu, sem derrotar o poema estereoscópico,
ponho-lhe no túmulo uma flor fresca de papel
e digo-lhe que ninguém é culpado da minha
imaginação
poema cintilante de cristal, de orvalho colorido
doiradas as palavras afluem em gritos eléctrónicos
em génesis de medo e êxodos
pela estrada da imaginação, nebulosa e fria,
grotescas formas saltam, e acusam, e correm,
longas vestes transparentes e infinitas
repletas de minúsculos espelhos multicores...
no ar do meu poema, gaivotas cospem restos de fascismo,
adornadas de estrelas, livres, vermelhas...
rochas de plástico marginam o mar fotografado,
irisadas de sal, nenúfares e arvéolas,
sonhando que o Homem já chegou à lua !...
suor cristalizado escorre nas faces dos palhaços,
que não representam mas vivem a sua vida,
com estilhaços de bandeiras que não puderam aproveitar.
eu, sem derrotar o poema estereoscópico,
ponho-lhe no túmulo uma flor fresca de papel
e digo-lhe que ninguém é culpado da minha
imaginação
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