OS CHOUPOS NÃO QUEBRAM

Acordou-me o inverno
O vento sacode o choupo molhado
Oiço-lhe a alma a gemer
Um rosário de queixumes

O azul de outras luas escureceu
Fez-se cinza a correr p´la berma
Arrastado pela enxurrada dos dias

Acordou-me o inverno
Abanei, mas os choupos não quebram
Abri a janela e encarei o vento
Que a minha casa é feita de verdade
Paredes erguidas do barro que sou
Adobes de coragem e coração
Tudo alumiado por lúcido clarão
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