ANTES QUE O OUTONO ACABE

O tempo é como as casas 
que nunca mudam de cor

é um velho
de olhar absorto e casmurro
a lembrar as nuvens cinzentas e gordas
debruçadas em prédios da mesma cor
assombrando as vidas das pessoas
cinzentas e gordas
que se arrastam pelos passeios.

é um velho 
que se perde nas listras das passadeiras
para não alcançar a vida que lhe acena
do outro lado da rua.
pele tricotada pelo sol das searas
pés gretados pelo pó dos caminhos
peito oprimido pela incerteza das horas
olhos secos pela longevidade dos dias

o tempo é como as casas 
que nunca mudam de cor
é parede baça que urge pintar
antes que o outono acabe
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