Escritas

I-LXIX Jaezes de vida e morte

Murilo Porfírio
Tal azar que se apega aos homens que fazem de tudo ruim, sempre deu sorte a mim.

Temo ter que dizer o pouco que guardei, temo fracassar ao inventar o que não presenciei.

Cultuaria ter prazer no meu hábito de perder tantos negócios sujos que não sei manter.

Far-me-ia menos tolo, mais crente em gestos de outros.

 

Estive por baixo preparando algo profano,

devolvendo ao mundo o que me restou como humano.

Assim a realidade se esforça em levar-me embora,

tornando-me inabitável por tão quente estar lá fora.

 

Às besteiras que me fazem canalha,

pesando hoje sobre homens com esperanças frágeis como a alma,

dou-me sempre sem quaisquer lágrimas.

Sei que não sei, e jamais permitir-me-ei saber se nos tornamos algo além,

é esta a ideia que me faz temer o futuro com quem me tem.