O TEMPO E OS PEIXES

Ao solitário o amor
ou a chama que resiste
sob a cinza apagada.

Ao estéril a esperança
ou a voz do mar que canta
segredos com palavras novas.

Ao fraco a paciência
ou o saber de quem flutua
num vazio de horas funestas.

A nós os dias de inverno
ou o bailar nas mil memórias
da espera abstrata.

E o quarto
a cama, o rio, lençol 
de águas azuis, sedosas
e os nossos dedos, peixes a nadar 
na transparência dos corpos.
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