Escritas

I-LIV Jaezes de vida e morte

Murilo Porfírio
Sinto que a vida vale a pena

quando um mortal me tens em mãos

e me corteja, disse ao Pai muitas vezes.

Fui agraciado pelos céus de sábado,

e agora sofro temoroso por um domingo ao acaso.

 

Um de meus vícios é apostar o que recuperei,

penso o quão péssimo é isso, e concluo ser pior que imagino.

Costumo perder-me na conta de quantos sacrifico

para fazer deste mundo um lugar para mim e meus filhos.

Assim ponho-me louco, para a que a conclusão

de um fim venha, e me arranque a vaidade do corpo.

 

Real ou não, ainda assim é por você,

vícios não seriam hábitos se não voltassem a acontecer.

Temo um mundo pior por domá-lo,

sofro um pouco menos por ser um amparo.

Oro ser este o último dos que me inspiram a estimar,

pois mal atingi o meio e tantos de ti vi passar.