Escritas

I-LII Jaezes de vida e morte

Murilo Porfírio
Suplico por ter quem guie-me ao reto,

quem livre-me das tentações à direita,

quem cega-me das à esquerda.

Quem permita-me desviar do certo

quando nele já não me considero.

 

Procuro civilização amante da liberdade de expressão

e escrava da ignorância que nos tornam vãos.

Procuro pelas capitais que, dos que abrigam, tempo tomam,

e crescem dando à vida razões que nada consolam.

Lá há quem a natureza desvalorize e a carne ridicularize,

e esculpa, ainda assim, presentes a mim.

 

Ouço do alto, então, maiores insultos,

fazendo-me proporcional ao palpável mundo que oriundo.

E em nada posso julga-los sem que me lembro de meus pecados.

Maior seja a insipiência dos que de mim se afastam,

e profundo o inferno dos que, deste mundo, tanto acham.