Escritas

I-XLIX Jaezes de vida e morte

Murilo Porfírio
Estou nervoso, mas não por estar mentindo,

temo coisas além de você e deste abrigo.

É a ansiedade por tanto desejar,

a incapacidade de esquecer o mundo que me faz viciar.

E culpa alguma sinto por vê-la chorar,

pois sei que não lhe resta tempo para durar.

 

Assombras um hipócrita que mata por futuros e julga prostíbulos.

Um fraco do tipo que chora por frustações que não vão embora.

Se julga-me não sei, mas sabes que para alguns o pior ansiei,

pois sou um ingênuo que nos zodíacos fiz-me e acreditei.

 

Há ainda quem aponte minha bondade santa, vendo-me como criança.

Calado e mutilado por quem permito e por quem insiste, sei que queres

mais uma vítima dessa tormenta, alguém que mostre, na arte, toda fraqueza.

Assim caminho longe e volto sempre, com coração frio e mente quente.