Maré do tempo
Sinto o tempo passar, dentro e ao longe de mim,
As esperanças desvanecerem-se em mágoas,
As palavras esconderem-se em gestos,
Os sons afogarem-se em olhares esquecidos.
Sinto a cadência e o bater das horas
Que passam, não esperam por mim,
Sem esperarem pelos meus sonhos...
Sinto que perdi a fonte da força que me sustém
O sopro do alento invisível que me guia
A névoa do saber que procuro.
Será que existe, o saber?
Será que tudo isto não passa de sentimento,
E por isso é abstracto, irreal, absurdo?
Quem sou eu neste espaço que é nada,
Que tento representar num tempo injusto e impossível?
Sinto que à medida que vou procurando respostas,
Vou encontrando mais dúvidas...
E procuro-te.
A ti que trarás resposta às minhas dúvidas
A ti que me preenches de saber
Só por existires, por estares perto, dentro de mim
Mas como resposta, não trarás tu também mais dúvidas?
Creio que a vida é um constante deambular
Por um mar de interrogações
A onda que traz respostas
É imediatamente substituída por uma vaga de duvidas
E à medida que vai sendo desbravado, esse mar
Vai-se tornando mais turbulento
A corrente cada vez mais forte, que envolve e arrasta
para longe da costa, do terreno seguro.
Preciso da força para navegar até ti
Ilha que me acolhe, porto seguro do meu ser.
E tudo isto eu sonho, sinto e esqueço,
Porque embora o tempo me corroa e deturpe
E embora os sentidos se troquem com a mente
Ainda espero o tempo da maré que me leve a ti...
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