Vazio
Um espaço, um plano, um ponto
Ou a distância entre espaços, planos ou pontos
São casos perfeitamente mesuráveis, calculáveis
Mas quando surge o vazio
Aquela inexistência de espaço
Falta de planos
Distância entre nadas
Sem ponto de fuga
Aí o que somos?
Somos apenas corpos que deambulam
Sem motivo real nem objectivo final
Apenas o de transpor o dia de hoje
Tentando esquecer o de ontem
Planeando um amanhã que nunca chega.
Buscamos respostas fáceis
Que tragam uma mera sensação de preenchimento
E mesmo sabendo-a falsa e insuficiente
Porque precisamos de plenitude em tudo o que fazemos e sentimos
Para nos sentirmos completos naquilo que somos e cremos
Continuamos a iludir-nos conscientemente
E voluntariamente rumamos para um futuro
Que sabemos em aberto
e que provavelmente não vai dar certo.
Porquê resignarmo-nos a tão pouco?
Porquê cingirmo-nos ao "mais ou menos"
Porquê não tentar alcançar o máximo de nós próprios?
Porque, na verdade, somos fracos,
E porque precisamos de soluções instantâneas
Que preencham o vazio hoje
Para assim continuarmos a sonhar com um vão amanhã.
Comentários (4)
Maravilhoso este poema
excelente poema Guida,<br /> felizmente a vida é feita de alguns momentos efémeros de felicidade, tudo o resto é realmente o vazio reinante...<br /> não existe felicidade eterna, pela simples razão que sem sofrimento e dor não se relevava nunca o ser feliz.<br /> Cumprimentos<br />
Se tiveres de amar, ama hoje, se tiveres de ser feliz, sê-lo hoje, porque o ontem já se foi e o amanhã não sabes se chegará.
muito bonito
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