Posição de Sentido

José Roberto Tolentino
José Roberto Tolentino
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Já li e escrevi muito... e nada.
Queria fazer um poema
que desse sentido à vida.
Queria fazer um poema
para dar sentido à vida.

Eu, que já toquei o topo da montanha
contemplo, como um Cristo, a planície vazia
onde serpenteia a música mais estranha
que, de tanto harmonizar, não melodia.

Onde está a razão de Deus nessa harmonia?
Onde está Deus em eu-acima-da-planície?

Eu hei sentido que não tenho sentido
e tudo é menos que um jogo de palavras.
Atire o primeiro xis quem há sabido
onde se acende o som e a luz se apaga.

Deus vive a montar estratagemas de morte;
a vida deixa-a como ardil para inocentes.
Quis me equilibrar, fazendo de Deus suporte:
tomei-lhe as mãos e vi-me solto de repente!

Sigo sem Deus, sem deuses e comigo
como uma esfinge, vivendo por viver
sem ter poema e sem ver nenhum sentido
em viver, em morrer, em não morrer.
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