Psicanálise

Quando o firmamento se posiciona
e instala a noite que, imóvel, assiste
os dramas do mundo de sua poltrona
fazendo de conta, fazendo ar de triste;

Quando a dita noite instalada e fingida
repete seu canto de torpe sadismo
eu viro de costas, eu cubro a ferida
eu faço de conta que não é comigo.

Há tempos livrei-me das minhas agruras
mandando pro espaço meu ar paranóide;
pra dar nome aos astros com minhas torturas
lancei mão dos gregos (que sabem de Freud).

Lá no alto céu coloquei minhas dores.
Sublimei nas estrelas minhas feridas:
elas que pulsem, que sofram horrores;
elas que fiquem com as dores da vida.
684 Visualizações

Comentários (5)

Iniciar sessão para publicar um comentário.
maria clara cristiano
maria clara cristiano
2022-02-21

Sensibilidade em bruto de sapiência enxuta...<br />a epifania vista na rocha pelos olhos e mãos de um escultor do passado... e do devir!

Maria Luísa Brascher
Maria Luísa Brascher
2022-01-03

Suprema arte da palavra !

2012-08-03

Arte e poesia de exel&ecirc;ncia.Aplausos

José Antonio Ramalho Forni-Brasil
José Antonio Ramalho Forni-Brasil
2012-02-23

Este poema me delicia sobremaneira na voz de Manoel Freire...a m&uacute;sica remete o pensamento a um porto, chegada e partida...e a imensid&atilde;o de mar...e cada palavra, inscreve-se na mem&oacute;ria ancestral...

Fernando Martins
Fernando Martins
2011-04-19

excepcional engenho e arte a Suprema Arte da Poesia