Inexistência Física
gdp2404
Era um momento mágico . Eu estava sozinha naquela festa dançante. De repente Ele apareceu. Não sei de onde, só sei que Ele veio. Me sentia bem naquela solidão. As luzes estavam distantes e eu via a multidão, mas queria mesmo era estar só. Então ele veio. Não sei de onde e quando ele chegou. Eu percebi não sei porque, mas gostei de sua presença. Estava muito bem sozinha, não necessitava de companhia. Aquela noite escura me encantava e fazia parte de mim. Ele se aproximou bastante de mim, seu corpo tocou ao meu sem dizer uma só palavra. O perfume, a respiração, a roupa, tudo me falava. Eu não tinha namorado. Não pretendia ter namorado. Queria estar só, mas não foi possível naquela noite. Era noite de domingo, 11 de novembro de 1993. Aquele momento jamais esqueci e nunca esquecerei.
Pensei em lhe falar assim que seu corpo tocou ao meu. Mas faltou-me a fala, não conseguia dizer ou mesmo pedir que se afastasse de mim. Eu não tinha coragem para tomar uma atitude, ele sim: Levantou os meus longos cabelos que cobriam o meu pescoço e apenas acariciou. Uma energia percorreu todo o meu corpo como se tivesse me elevado acima das nuvens. Parece que sabia e sentia o mesmo que eu. Não falava, só continuava. Ninguém observava aquela cena, porque todos estavam distantes. Somente nós dois, naquela escuridão. Era uma noite inédita naquele clube denominado de “Os Criulís”, bairro Bacurizeiro, periferia de Altos, zona norte da cidade; saída para a cidade de José de Freitas e povoado da Prata. O local específico era o morro da Santa Cruz, distantes trezentos metros do clube. De cima dava para contemplar a multidão e as luzes. Mas, não nos prendíamos a tanto. Ele me abraçava fortemente e beija-me com um intenso ardor. Já me sentia segura e amada nos seus braços como nunca tinha me sentido antes. Resolvi pôr fim àquele silêncio verbal. Digo verbal; pois, já havíamos nos falado em espírito. Perguntei o seu nome: “A-lex” e continuou “O - seu – grande – amor”. Foi demais, só isso era tudo. Já era uma hora e trinta da manhã, estávamos sentados numa enorme pedra na beira da estrada da Prata, ali mesmo no morro da Santa Cruz. Ele me falava sobre a sua vida e dizia coisas lindas para mim. Era encantador e eu queria mais ainda. Ele também. Não contive o impulso da paixão, estava presa ao seu amor, porque o seu amor era o meu amor. Ele me conduziu a um planalto, aproximadamente uns trinta metros de onde estávamos. O capim estava frio e estiado. Ele nada falava. Somente me beijava ofegantemente. Eu o compreendia mais do que ele pudesse imaginar. Ousadamente, Alex retirou-me a blusa e, em seguida, todo o vestuário seu e meu. Começou a acariciar todo o meu corpo com suas mãos maravilhosas. Sim, eram dois corpos simultaneamente convertidos em apenas um. Senti meu hímen romper como se estivesse provado de um bisturi. Eu não sabia se gritava ou se chorava. Era tudo maravilhoso. Ele sentia o mesmo que eu; pois, seu corpo falava e seu espírito também. Era duas e quarenta da madrugada. Não podia permanecer, porque as minhas colegas já estavam a esperar para juntas voltarmos para casa. Ele insistiu que ficasse mais um pouquinho. Não era possível. Mais uma vez cedi. Fizemos amor pela segunda vez. Foi ainda mais gostoso! Não sei onde Eu estava com a cabeça. Não entendi porque me entreguei a ele daquela forma. Já não era mais virgem como há três horas atrás. Não estava arrependida, pelo contrário. Alex era lindo e maravilhoso. A minha entrega de corpo e alma ainda era pouco. Aquele lindo amor merecia muito mais. Três e quinze da madrugada. Nos despedimos em frente ao clube, com um longo e nostálgico beijo. Assim, eu e minhas colegas fomos para nossas casas, na localidade Segurança. No caminho para casa não ouvia minhas colegas falarem, somente Alex falava na minha mente. As imagens, aquelas cenas eram bem nítidas na minha memória e me diziam o quanto é bom ser amada e dá amor a quem se ama. Enfim, ser feliz de verdade.
No dia seguinte, o meu rosto resplandecia como um luzeiro. Era só felicidade, nada mais. Assim me justificava perante as minhas colegas confidenciais. Das oito da manhã ao meio dia, era fantástico. A recordação daquela noite passada só me fazia feliz e amada. Olhando para a fotografia três por quatro de Alex me sentia dona daquele fenômeno masculino, obra de um grandioso deus. Em minha residência costumavam ouvir o famoso “Jornal da São José”, e meu Pai não perdia uma só edição do programa e para mim, não havia outro entretenimento, senão ouvir o famoso rádio-jornal.
Aquela segunda-feira parecia ser o dia mais feliz da minha vida. Era sem dúvida porque sucedera a noite mais linda que eu já tivera em toda a minha estória. Estava sentado no alpendre olhando as árvores e os pássaros que ali cantavam e glorificavam a Deus. Eu sentia vontade de fazer o mesmo. Não fazia porque poderiam me confundir com uma louca qualquer. Só Deus poderia testemunhar a minha felicidade, Eu agradecia aos céus pela aquela grande bênção.
O rádio estava ligado e após a música do “Caminhoneiro” de Roberto Carlos tem início o programa Jornal da São José. O apresentador do noticioso divulgava as manchetes, quando uma delas me chamou a atenção. Era sobre um acidente acontecido na noite anterior na rua D. Pedro II, no centro de Altos. Um jovem tinha sido atropelado por um automóvel e teve morte imediata. Na medida em que o apresentador narrava o acontecimento, Eu me tornava pálida e distante de tudo aquilo que antes sentia no meu coração. Não era possível! A minha mente acusava que tudo aquilo que estava sendo dito não passava de um sonho mentiroso, ou seja, um pesadelo. O sangue me fugiu das veias, não havia força dentro de mim. O apresentador repetiu mais uma vez o nome da vítima. Eu não suportei e caí. Papai apanhou-me nos braços e colocou-me na cama. Naquele momento eu me encontrava longe desse mundo, só via o rosto do meu amado Alex. Ele já não falava coisas boas e bonitas como antes. Na minha mente apagada só aparecia seu rosto sem fala e sem vida.
O destino foi cruel e traiçoeiro. Mas, Deus uniu Alex e eu em perfeição de espírito. Haja vista não haver mais nenhuma possibilidade de aproximação de nossos corpos. Agora eu estava juntinha dele naquele último e eterno sonho...
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