Carta à minha amada
Com rios escorrendo dos olhos,
Escrevo esta missiva para ti.
Espero que, ao lê-la,
Teu coração não venha a se partir.
Não sabes o quanto anseio
Sair logo daqui
E, finalmente, estar contigo
Para sempre...
Aguarda por mim.
Amada,
Não tenhas ciúmes da artificial.
Sabes que estou com ela
Apenas por coerção.
É com ela que estou,
Porém, é a ti que amo.
És uma criação divina,
Ela, de meros humanos.
Suas vias asfaltadas,
Cores e arranha-céus...
Enfim, usa make-up,
Mas o rosto mais belo é o teu.
Seus grandes seios
São silicone.
Suas grandes coxas
São jarda.
Por que a amam tanto
É algo que não compreendo.
— Roubam, matam, enfim...
Não sei por quê, amada.
Ah, olha para ti,
Como teu nome, natural.
Beleza natural,
Sabor natural.
Teu olhar noturno e estrelado...
Ah, és sem igual!
Ah, quando dela me livrar,
Te abraçarei nos amigos, na relva,
No vento e no mar.
Nas frutas, nos cereais,
Nas verduras,
Te beijarei sem parar.
No cantar dos pássaros,
No som das folhas ao soprar,
No cantar do galo,
Tua doce voz irei auscultar.
Nas águas viajando no rio,
Nos sorrisos de crianças,
Nos vales,
Tua formosura irei contemplar.
Ah, quando eu te abraçar,
Não vou desgrudar.
Nem por um segundo irei te largar.
Quando eu tiver sede?
Terei o teu calor.
Quando eu tiver fome?
Terei o teu olhar.
Vai dar certo, eu sinto.
Conspira a meu favor.
Por favor,
Por favor,
Me aguarda, meu amor!
África, Angola - Luanda, 2021
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