Escritas

Desponta

Betina
Eis que despontae meu corpo já sabe o quê. 
Fala numa linguagem de dor, de súplica inflamável e morrente. 
Desaponto, pondo o certo duvidoso. 
Puxo o fio pela ponta escondida. 
Dentro do novelo torvelinhoum emaranhado a não acabar. 
Encho as duas mãos. 
Como desconfiar da força desta linha? 
Lá está a matéria a dizer-me, de muitas maneiras: 
somos, no centro da tramacosturada a pulsoao longo de anos. 
Puxo o fio pela ponta que se me dá. 
Não hei de perder esta meada impossível. 
Meta para além da deterioração. 
Vou fazer e repetir desenhos de flores,pássaros. 
Vestirei as peças,aprendendo a despir-me 
e a gostar de dobrarpara ser, 
para poder ver 
veste cingida ao corpo, 
veste pousada no banco, 
veste liberta na cama. 
Menos o aroma da vesteque me poderiam impingir 
em uma porta da cidade, 
nada sem mim.
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