Escritas

O Ultimo Conto

Reirazinho
Lágrima gelada faz derreter
o anjo da última lápide. 
Gesso enfraquecido na força
da batida do último corvo, 
na vertigem de sua asa,
a última morte; 
nas rosas do último defunto,
o fim da primeira saudade. 
Velório do assombro sujeito,
da sexta casa à direita,
donde residia a garota do
véu, aquela que faleceu
jurando vingança.
O pássaro morto no tapete 
foi a prova do crime, 
ninguém entendeu como,
mas assim foi o funesto fim.
Ela tinha o sonho do matrimônio,
ele, o vil desejo de suprimir.
No vai e vem da sanfona, a música
da vida os ensurdeceu;
o enterro do último corpo lava
a redenção da vingança, enquanto
o céu não obscurecer, a lágrima 
reluzente do anjo não findará...
o mar de fogo; o primeiro sofrimento
do último engano.
180 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.