CEMITÉRIO ESQUECIDO


Ah, cemitério esquecido
e morto como seus mortos
no meio de uma coxilha
longe de todos os olhos.

Foi em tuas proximidades 
que o campo virou mortalha
ao fim de uma batalha
da grande revolução. 

Quantos de teus habitantes
lutaram sem ideal
e agora repousam longe
da sua terra natal?

Ah, cemitério esquecido
nem um mapa te registra,
nem estrada te visita
e não há cerca ou marcação.

Só o vento te cochicha
um punhado de segredos
recolhidos no degredo
sina de todos os ventos.

Ah, cemitério esquecido
com cruzes enferrujadas
e nomes já apagados
de lápides desgastadas.

Hoje o mato nasce e morre
sobre tuas sepulturas
e as raízes se forjam
a tua velha estrutura.

És a imagem do abandono,
da desconsideração
com tantos homens valentes
que repousam neste chão.

Ah, cemitério esquecido
tua localização
só a noite denuncia
através da combustão

Do fogo-fátuo que assombra 
o xirú desinformado
que imagina estar diante 
de um cemitério assombrado.
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