Escritas

Louco

Paula Regina Scoz Domingos Damázio
Vergado sob o peso do cair na correnteza
repuxando os nervos pra cobrir a pele nua
falando em pacotes de nuvem
o louco da lua cheia nascido do galho seco

A dias passados cantando borboletas na macieira
passado um sopro de alívio ao ver azul pra cima
um dia talvez ele não morra
o louco cantado por raios brilhantes

Na ermida dos passos de um homem no mato
a vaca vacila ociosa e com sono
de um leite jorrando por dentro de si
pela beleza de ter um pouco do escorregado
molhado do líquido pela espuma

Assim cruzado no mistério sem nome
o louco dos dias de final de mundo
entende o cantar da estrela rebatida sobre o couro do chão
vê a amarga e doce necessidade do leite
o louco por vida pulsando o louco marinheiro da noite de lua
de vida comida e vomitada, adubo.
890 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.