Em terra de cegos quem tem olho é rei



Há quem ouse comentar: 
Em terra de cegos quem tem olho é rei. 
 
Sinceramente, gostaria de saber  
De que serve observar tal funesta paisagem, 
Fomentada pelo olhar pretensioso  
De quem nunca olhou para dentro.  
Prefiro a acalmia da cegueira, 
Onde vejo o que sinto, 
E não sinto o que vejo. 
Onde procuro enaltecer a verdade no meu íntimo, 
E reconhecer-me na faceta mais fiel de mim,  
Resguardando-me dessa escuridão avassaladora, 
Que, apesar de tudo, 
Forma a minha identidade.  
 
Em terra de cegos quem tem olho é rei. 
Noutra realidade 
(que não a minha) 
Talvez... 
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