Escritas

Prisão de Fogo

Paula Regina Scoz Domingos Damázio
Ah! Sol, brilha em teu rosto
Amor em sabores de luz...

Reflexo de minhas sombras amargas
Não te vejo mais, só, sob a noite,
Tumultuando a sonolência do alento
Das distensões do meu ser cruento
Que rasgou as vestes puras
Por rastro imundo e caveiras nuas.

Ah! Sol, brilha em teu rosto
Na doce tarde embalada de pássaros...

Mas o ruído perpetua em meus ouvidos
No sombrio obscuro do abismo em mim,
Brincam as pupilas do meu rosto vazio
Eu bruxa ferida pela espada branca
Perambulo solitária e ilusória
Cantando no vaso quebrado a minha glória.

Ah! Sol, cantas e minha mão não te alcança
Sou pétalas caída no lodo infértil
Sou ramo destroncado da árvore sagrada
Sou crua e sou eu e somente nada
Sou por passos no caminho apagada
Pela poeira dos ventos soprada.

Oh Sol revolve minhas cinzas!
Faça acordar do pó do exílio maldito
Em vermelho de fogo
O amor que em mim é chama fria
Que se cala em meus lábios um segundo
antes do grito,...
Pois és tu, o carrasco alado de meus dias...
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