Escritas

Intimamente

MARINA SATIRO
Porque ainda trafego em meu pensamento e a tua imagem corrói todos os meus delírios. No elo que une os meus princípios omissos quando tu vens. Os devaneios que se perderam e voaram como a fina areia numa praia deserta. Afoguei-me no abismo da tua lucidez e perdurei os profundos suplícios enraizados em meu corpo. E me toma, novamente e decompõe dentro de mim o que permanece em ti. O gosto do beijo, o fel do desejo. O mel escorre nos lábios. Gosto de sangue encharca o coração insano. E pensei! O que não sai!
Tatuagem do deleite. E sinto! E odeio o que sinto e penetra e me enleva. Pairo! Por um instante! A brisa passa e leva, descarrega o teu cheiro, o gosto, tudo do teu gozo ainda absorve no peito. Em brasa, me arrasa, sufoca. A dor que a saudade não levou. E a saudade que perdura na nua e crua carne, insensata e serena. A pele eloqüente, arrepia no olhar obscuro, relembra a lascívia do toque. E sente! A mão que estrutura, segura tão firme, e marca a presença constante que não desconfigura. Renasce a cada instante e quando tudo se junta, se entranham nas vísceras e derramam o teu refúgio, as lamentações dos corpos feridos. Porque ainda vivo dentro do que habitas, e percorre tão tênue o ardor do deleite que se esvai e finca e cura e maltrata a ferida incessantemente. Esqueci a insanidade desmedida, de mim quando mergulhava em tua posse e do que sou quando envolve o que delimita as minhas estações: primavera, verão, outono e inverno e eu percorrendo todas elas num só instante. Os olhos retratam e focam a sombra do passado que se transfigura no meu presente. E renasce o sabor amargo do profano, o veneno que enleva se refugia na maciez do pecado. E traz, retorna, retoma e entrelaça ao corpo, o sumo do desejo. Jorra o mel, escorre a paixão! Literalmente! E embriagam-se. Olhares fitos, corpos em estupor, dentro do que martiriza. Porque ainda é a tua demência que habita o inóspito. Sempre foi! Ainda não adormeceu a tua clemência! É a minha loucura que perdura na tua ignorância e o que derrama se manipulou através do que me prescreve. Porque ainda vivo...

...In-ti-ma-men-te!
644 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.