dentro de nós existem casas de paredes nuas

dentro de nós existem casas de paredes nuas
e por habitar vão clareando
as noites

existe um brilho nos degraus mais íntimos
onde vozes antigas nos inquietam
e quase nos sepultam

há um vazio
um crime de frio que nos envolve e aconchega
e respira connosco

o poema hesita ainda na descoberta

assalta-lhe a ideia que se deve mudar
o interior da palavra
construir novas casas
e acariciar o silêncio da noite

procuro a utopia e o poema
enquanto as casas forem o refúgio
e a solidão do eu

não conheço o delírio da palavra
nem o castigo do corpo

a mulher sempre virgem ao parir outros ventos
e outras águas
a mulher fatídica no coração de deus

o poema adormece num beijo
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