Retorno à praia de Itaipu ou ao monte Meru


Os desertos enganam,

Mas só no mar está

A paz que nada interrompe

 

A fluição que vocifera

Em ritmados uivos, silvos

                                          Laivos

Da noite primordial.

 

Do caos fundamental

Transemerge o mar:

Torre deitada em seu abraço de encastelar.

 

Kraken, Caribde, meu tio Geraldo Xereta

Ausências que a praia transtraz, à maneira

De Rosa, Guimarães,

Conchas desfeitas,

Calcário sobre crostas oceânicas de basalto

Infância de meus sobrinhos,

Após a minha

E Abraão e Caim e Adão

 

O planeta feito de água de seres

Feitos de água

                               Esgoelando-se por solidez.

Cada homem é a coleção de seus processos

 

Daquele pico

Pode-se esculpir as estrelas

E que são os aglomerados de galáxias,

Senão matéria escura desbastada

Até adquirir forma?

Células-tronco primeiras

De Jeová, esculpidas pelo sopro

Do Espírito que tudo navega?

 

Venha poder palraz,

Derrube Meru no oceano,

Dissolva os entes e seus ícones

Na recriação.




Do livro Cartas e Retornos (2021).
Publicado anteriormente na revista Ensaios de Geografia (UFF).
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