Deve haver outro sentido para a vida
Deve haver outro sentido para a realidade lúcida da vida.
Deve haver outro estado de ser
onde a alegria serena não seja só um acidente.
Este mundo pesa-me, cheio de despedidas.
Vejo as cicatrizes e oiço os rufares de realidades bélicas,
tudo isso às vezes só na cabeça de alguns.
E a união aqui toma a forma macabra de rebanhos.
Vejo o sol sempre implacávelmente pontual,
embora por vezes os relógios tenham opinião diferente.
Vejo a lua, os livros cheios de Tao,
e a minha alma sofre com tudo isso,
sofre como se tivesse sangue e sangrasse,
como um louco consciente que não consegue adormecer nunca...
Terei eu a genialidade da poesia ?
E que bem virá ao mundo, se eu a tiver ?
Que espécie de gente serão esses a quem chamam poetas,
que incessantemente pensam em abrir portas e janelas
e querem crer que vêm através das portas e janelas fechadas
que nunca abriram, e provávelmente nunca abrirão ?
Ah! Deve haver por aí outra realidade para a realidade disto !
Deve haver por aí beijos e coisas,
patamares definitivos que nos tirem de vez esta impaciência estúpida,
que nos levem de novo para de onde nunca devíamos ter saído,
para brincarmos de novo
com os berlindes de cristal da realidade verdadeiramente lúcida,
da realidade final que fica para além de todos os enigmas...
Deve haver outro estado de ser
onde a alegria serena não seja só um acidente.
Este mundo pesa-me, cheio de despedidas.
Vejo as cicatrizes e oiço os rufares de realidades bélicas,
tudo isso às vezes só na cabeça de alguns.
E a união aqui toma a forma macabra de rebanhos.
Vejo o sol sempre implacávelmente pontual,
embora por vezes os relógios tenham opinião diferente.
Vejo a lua, os livros cheios de Tao,
e a minha alma sofre com tudo isso,
sofre como se tivesse sangue e sangrasse,
como um louco consciente que não consegue adormecer nunca...
Terei eu a genialidade da poesia ?
E que bem virá ao mundo, se eu a tiver ?
Que espécie de gente serão esses a quem chamam poetas,
que incessantemente pensam em abrir portas e janelas
e querem crer que vêm através das portas e janelas fechadas
que nunca abriram, e provávelmente nunca abrirão ?
Ah! Deve haver por aí outra realidade para a realidade disto !
Deve haver por aí beijos e coisas,
patamares definitivos que nos tirem de vez esta impaciência estúpida,
que nos levem de novo para de onde nunca devíamos ter saído,
para brincarmos de novo
com os berlindes de cristal da realidade verdadeiramente lúcida,
da realidade final que fica para além de todos os enigmas...
Português
English
Español