viajar
yuri petrilli
escrever é também assumir o compromisso de criar viagens,
e não quaisquer viagens: viagens independentes e perenes.
você, escritor, cria uns percursos através das palavras
e involuntariamente dá à luz certos percursos ocultos
(a que outros, que não você, possivelmente encontrarão depois),
e mal se dá conta do que faz
enquanto consuma a cada linha teu esforço e intento,
sem qualquer garantia de alívio ou precisão.
e então, uma vez concluída a obra,
é que você vê, se olhar bem, que ela está menos concluída que nunca.
subitamente,
ela é uma viagem. e é como um filho:
a tua participação foi essencial para que ela existisse,
e entanto ela não te pertence. ela está lá, se desenvolvendo à parte de ti,
no desamparo do mundo, sem esperança. existindo.
viajando e conduzindo outros a viagens sempre imprevisíveis e distintas,
se renovando sempre e desabrochando outros caminhos
que outrora estiveram dormentes
em suas entranhas absurdas.
acaso há mais doce favo de poesia do que isto?
viajo outra vez.
e não quaisquer viagens: viagens independentes e perenes.
você, escritor, cria uns percursos através das palavras
e involuntariamente dá à luz certos percursos ocultos
(a que outros, que não você, possivelmente encontrarão depois),
e mal se dá conta do que faz
enquanto consuma a cada linha teu esforço e intento,
sem qualquer garantia de alívio ou precisão.
e então, uma vez concluída a obra,
é que você vê, se olhar bem, que ela está menos concluída que nunca.
subitamente,
ela é uma viagem. e é como um filho:
a tua participação foi essencial para que ela existisse,
e entanto ela não te pertence. ela está lá, se desenvolvendo à parte de ti,
no desamparo do mundo, sem esperança. existindo.
viajando e conduzindo outros a viagens sempre imprevisíveis e distintas,
se renovando sempre e desabrochando outros caminhos
que outrora estiveram dormentes
em suas entranhas absurdas.
acaso há mais doce favo de poesia do que isto?
viajo outra vez.
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