permanência
yuri petrilli
quando não é a música,
de que se desenrolam
traços de outros momentos
que se infiltram na presente verdade,
quando não é a música
é a cidade.
quando não é a cidade,
com seus espelhos e lugares e sombras
de dentro dos quais salta à luz
tudo o que há de mais secreto
e tudo o que há de açoite,
quando não é a cidade
é a noite.
e quando não é a noite,
a noite, com suas estrelas e taquicardia,
noite que guia a angustiada mão
até as linhas tortuosas de uma vigésima tentativa
de exprimir em rimas mortas
uma coisa que é viva,
sim, a noite, onde boia a lua
com seu semblante tristonho,
nas águas escuras de seu esmo...
quando não é a noite
é o sonho.
sou eu mesmo.
quando não é isto,
é aquilo,
e se por acaso não é aquilo,
então é outra coisa.
mas não há nunca um dia sequer
em que tudo falhe
em te trazer de volta a mim
– as vidas, as hipóteses, os espólios –,
para que eu outra vez me renda
e morra, contritamente,
no fundo dos teus olhos.
de que se desenrolam
traços de outros momentos
que se infiltram na presente verdade,
quando não é a música
é a cidade.
quando não é a cidade,
com seus espelhos e lugares e sombras
de dentro dos quais salta à luz
tudo o que há de mais secreto
e tudo o que há de açoite,
quando não é a cidade
é a noite.
e quando não é a noite,
a noite, com suas estrelas e taquicardia,
noite que guia a angustiada mão
até as linhas tortuosas de uma vigésima tentativa
de exprimir em rimas mortas
uma coisa que é viva,
sim, a noite, onde boia a lua
com seu semblante tristonho,
nas águas escuras de seu esmo...
quando não é a noite
é o sonho.
sou eu mesmo.
quando não é isto,
é aquilo,
e se por acaso não é aquilo,
então é outra coisa.
mas não há nunca um dia sequer
em que tudo falhe
em te trazer de volta a mim
– as vidas, as hipóteses, os espólios –,
para que eu outra vez me renda
e morra, contritamente,
no fundo dos teus olhos.
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