poema sonolento
yuri petrilli
duas da madrugada.
conforme o anseio de nadar
se vai sucumbindo
ao de entregar-se às águas,
um nome ecoa
nas conchas do mar...
e em meus ouvidos naufragam as mágoas.
três da madrugada.
nenhuma porta suspensa no ar,
e, se acaso houvesse,
eu decerto a fecharia.
nem porto a destino, nem cais a que atar-se.
um lençol de maresia encobre a tudo...
e nunca fora tão pacífico afogar-se.
quatro da madrugada.
nenhuma lágrima pela luta perdida.
nenhum pungente impulso
por compreender ou transformar.
sumberso, vê-se, de fato, a tudo:
vária paisagem amorfa
de que mais parece que se vai despertar.
cinco, seis, sete, oito, infinito.
o tempo cambaleia no meio sono.
o tempo sonâmbulo confunde as coisas.
e tudo pesa sobre os olhos
em uma fração de segundo...
um indefinido segundo
prolongando-se, a cismar,
o coitado: só mais um mísero mundo.
mais um que o sol virá matar.
dorme o coração que desconhece
o nome que ecoa nas conchas.
conforme o anseio de nadar
se vai sucumbindo
ao de entregar-se às águas,
um nome ecoa
nas conchas do mar...
e em meus ouvidos naufragam as mágoas.
três da madrugada.
nenhuma porta suspensa no ar,
e, se acaso houvesse,
eu decerto a fecharia.
nem porto a destino, nem cais a que atar-se.
um lençol de maresia encobre a tudo...
e nunca fora tão pacífico afogar-se.
quatro da madrugada.
nenhuma lágrima pela luta perdida.
nenhum pungente impulso
por compreender ou transformar.
sumberso, vê-se, de fato, a tudo:
vária paisagem amorfa
de que mais parece que se vai despertar.
cinco, seis, sete, oito, infinito.
o tempo cambaleia no meio sono.
o tempo sonâmbulo confunde as coisas.
e tudo pesa sobre os olhos
em uma fração de segundo...
um indefinido segundo
prolongando-se, a cismar,
o coitado: só mais um mísero mundo.
mais um que o sol virá matar.
dorme o coração que desconhece
o nome que ecoa nas conchas.
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