(Às) Quatro Paredes

O atrito do tecido
E o encontro de dois lábios
Queimando no contato,
Entreabrindo em gemidos,
Suaves como o toque
Da flecha endereçada
Pelo arco do cupido.

O compasso ofegante
De um amor tão dolorido
Curando suas mágoas
Na fonte do proibido,
Na curva inebriante
E no ensejo decidido
Pelos olhos predatórios.

O braço que circunda
Uma tempestade aflita
E conduz os espasmos
De volúpia irrestrita
Pelos cantos do corpo
Até que as chamas se tornem
Enormes labaredas.

Macia como a seda,
Ainda que incandescente,
Deslizando pela pele
Em um ritmo crescente
Até que as mãos se encontrem
E se agarrem, silentes,
Para que todo o prazer
Se condense em um som
No quarto e na mente.
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