[ficava]


Ela tinha asas em vez de braços. 
Pequenas garras no lugar de unhas. 
E o seu corpo inteiro era revestido por escamas.

Era uma criatura estranha,
errónea e paradoxal. 

Voava como quem nada,
nadava como quem anda.
E nunca saía do mesmo lugar. 

Era o reflexo do que queria ser.
A imagem que nunca fora.

Era sede na margem da água.
A miragem de coragem,
o destino sem a viagem.

Ela tinha paredes em vez de céu.
E quando chegava à janela
não sabia se nadava,
voava ou andava
para sair deste apogeu.

E então, ficava.

~ Andreia Marques
344 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.