[ficava]
Ela tinha asas em vez de braços.
Pequenas garras no lugar de unhas.
E o seu corpo inteiro era revestido por escamas.
Era uma criatura estranha,
errónea e paradoxal.
Voava como quem nada,
nadava como quem anda.
E nunca saía do mesmo lugar.
Era o reflexo do que queria ser.
A imagem que nunca fora.
Era sede na margem da água.
A miragem de coragem,
o destino sem a viagem.
Ela tinha paredes em vez de céu.
E quando chegava à janela
não sabia se nadava,
voava ou andava
para sair deste apogeu.
E então, ficava.
~ Andreia Marques
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