Escritas

da hermenêutica do sujeito

Mel de Carvalho

apenas o musgo em frinchas irregulares de calçada gasta
no raspar contíguo de cascos puídos
de milhões de pés
passados

...e as folhas,

calendarizadas, uma a uma,

ora murchas, ora acendidas viventes p’la fúria vitalícia do vento
que longo e longe, sopra,
amareladas já,
se desenham a si, hermenêuticas, em queda lenta.

    [redemoinham velas, chamas pálidas, lampadários acesos 
    no azeite de oliva efervescente, comungam-se sacros. isentos de pecado
    seguem. o Inverno purga a alma….
    ... depois, o cheiro da lenha em lareira, dentro;
    o calendário pacifica a vida, na hermenêutica sacra, samaritana… ]

paladina a forma
o desenho e o contorno do corpo do poema
onde epigramas amorosos se entretecem em lábios carnudos de fonemas.

pendular se faz o verbo
d’ética estóica, de simbólico acto de ser afago, de ser centelha breve d’erotismo
- o desejo de dar forma à crueza do voo da águia
do abutre por sobre a carne seca dos mamíferos
na medula da serra,
à libertinagem das asas da antiguidade clássica. o pêndulo de Foulcault…

apenas o musgo entalha a pedra alva em efervescências ferretes
d’incidências pagãs e operância cartesianas.

opulento, o vento, eleva a folha. pousa serena no campanário renascentista da igreja.
aqui em frente!