poema
yuri petrilli
beija-me,
que há tantas noites durmo
com este beijo preso
na garganta.
despeja teus olhos
nos meus sedentos olhos,
que há tantos anos espero
te ver chegar.
lê-me,
que sou todos os poemas
que um dia te compus
sem que você soubesse.
ou nada.
tanto me basta que sejas.
pois as palavras estão já distantes,
e tudo o que resta agora é este instante
em que as batalhas se sublimam.
memórias são pequenas pétalas
que caem sobre o mesmo chão
que um dia nos viu passar.
mas que não seja falso
este horizonte a que me lanço,
nem seja sonho
este instante;
este tão real instante
em que outra vez,
ao longe, vejo, e me vês,
e, perto, me sussurras
que, talvez,
nem tudo seja
sem sentido.
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