Feliz (?) Dia das Crianças!

Sexta-feira, 12 de outubro de 2018. São doze horas. Com a janela parcialmente aberta, vejo invadir o meu quarto o barulho estrondoso dos fogos de artifícios, tão comuns nessa data. Me assusto! O que será que é isso? Ah!... Verdade. É dia das crianças e dia de nossa (minha não, vossa!) senhora aparecida, para os católicos apostólicos romanos.

A família tradicional brasileira, de classe média consumista, presenteia seus herdeiros com bonecos e bonecas (para os meninos e para as meninas, respectivamente, pois a ideologia de gênero deve ser mantida a todo custo, claro).

Bonecos que replicam os “super-heróis” norte-americanos (quase sempre brancos, usando uniformes vermelho/azul/branco e sempre lutando contra o mal absoluto que, coincidentemente, veste vermelho).

Já as bonecas, essas surgem magérrimas, loiras e sorridentes (sem mamilos e sem vagina), acompanhadas de utensílios domésticos e inúmeras peças de roupas fashion, lembrando às meninas o belo papel que lhes foi reservado em nossa sociedade machista.

Depois da compensação material pela falta de afeto, é chegada a hora de ir à missa. Rezar para a “mãe de deus”. Pedir a ela a benção diária, a (intervenção) intersecção diante da difícil vida de classe média brasileira. É hora de pedir ajuda àquela que, segundo o mito cristão, teve seu filho torturado e morto por discordar das leis que expropriavam e estupravam o povo de seu tempo (será que ele era comunista ?). É hora de se ajoelhar e pedir para aquela que lavou os restos mortais do "fruto de seu ventre virgem": “rogai por nós, torturadores”!

Doze e meia. Fecho a janela. Fecho o notebook. Fecho os olhos. Deito na cama e me fecho. Mesmo sem sono, tento dormir... desejando acordar em outro lugar.
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