um homem vagueia através da noite
yuri petrilli
um homem vagueia
através da noite.
vê as estrelas,
e cada uma delas
é a ele uma palavra
por ele jamais dita.
sim. um homem vagueia
através da noite,
e já não pode mais dizer.
o momento está perdido. a voz se foi.
seu tempo é só memória,
e ademais é dor.
vagueia de braços pensos, o corpo fraco,
com as mãos cheias de artifícios
e os olhos fartos
do que nunca viram
– e do que viram,
mas já não podem comunicar.
um homem vagueia entre si e o mundo.
por vezes quase decide parar.
mas segue sempre devagar,
por vezes rindo,
permitindo, depois, que qualquer brisa
lhe tome o riso.
entretanto, não vai vazio:
um enorme estômago
com enorme náusea
e um enorme coração
com enorme espanto
lhe são muito fiéis.
foi criança, teve sonhos,
bem como aspirações da carne
e vontade de gramados silenciosos.
é, afinal, como tantos outros. vagueia através da noite.
e assim, sem vida,
escreve para não morrer.
através da noite.
vê as estrelas,
e cada uma delas
é a ele uma palavra
por ele jamais dita.
sim. um homem vagueia
através da noite,
e já não pode mais dizer.
o momento está perdido. a voz se foi.
seu tempo é só memória,
e ademais é dor.
vagueia de braços pensos, o corpo fraco,
com as mãos cheias de artifícios
e os olhos fartos
do que nunca viram
– e do que viram,
mas já não podem comunicar.
um homem vagueia entre si e o mundo.
por vezes quase decide parar.
mas segue sempre devagar,
por vezes rindo,
permitindo, depois, que qualquer brisa
lhe tome o riso.
entretanto, não vai vazio:
um enorme estômago
com enorme náusea
e um enorme coração
com enorme espanto
lhe são muito fiéis.
foi criança, teve sonhos,
bem como aspirações da carne
e vontade de gramados silenciosos.
é, afinal, como tantos outros. vagueia através da noite.
e assim, sem vida,
escreve para não morrer.
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