SEM TÍTULO

Diz o meu pai

Para estar mais presente 

Mais viva e menos ausente

Diz que não adianta o mundo às costas carregar 

A sociedade vai sempre deixar a desejar  

Não tem sentido levar comigo tanta dor no coração 

Diz  que tenho que me abstrair 

Da desilusão que a vida é 

E da dificuldade de apenas existir 







Diz que já bastam as minhas desolações 

As minha próprias interrogações 

Estou incomodada com o fraco dos outros 

E as suas descabidas decisões  

Como se fizesse a mínima diferença 

Diz o meu pai que há gente feliz de nascença 

Mas com a felicidade vem a ignorância 

Como a arte ,cresceu em mim a arrogância 

Há gente inútil 

Há gente fútil 

Mas no entanto invejo 

A inutilidade e a futilidade desses 

Porque ainda assim não estão tão perdidos na profundidade

Do vazio como eu 

Um nada sem fim que se propaga pela infinidade 

Quem me manda ter uma mente que não se adequa à minha idade?
590 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.