PREÂMBULO

PREAMBULO

Por. Prof. Me. João Edesio de Oliveira Junior.

 

            Os textos que se seguem fazem parte de uma narrativa em três momentos, o primeiro narra uma história da busca por uma cabra que há seis meses estava desgarrada do rebanho. A segunda é a continuação da primeira busca, porque a primeira não foi bem sucedida, não por falta de competência dos aventureiros, mas por falta de sorte, já na terceira busca, segue o mesmo ritmos, pois ainda não havíamos achado a cabra. Nessa última busca, você terá que lê-la para saber.

            Talvez você esteja sorrindo por em duas tentativas não darmos conta de achar a cabra. Mas você já andou em busca de uma cabra que tomou rumo de sua própria vida? Acho que sua resposta é não, a minha também é não, nunca andei atrás de uma cabra, mas me colocaram nessa empreitada de buscar uma cabra que, ao menos sei o que seja uma cabra. Você leitor acho que deu outra risada... Faço-lhe uma pergunta. Você já viu uma cabra? Você sabe diferenciar uma cabra de um bode? Uma cabra de ovelha? Ao menos você sabe o que é uma marram? Aposto que nem ouviu a palavra burrega?

            Assim como você, caro leitor, também não sei diferenciar nada de nada, mas fui nessa empreitada porque me desafiaram. Na caminhada em busca da cabra, meus assessores de assuntos de cabra me explicaram o que é o que. Passo agora a tentar diferenciar cada animal desses, caso eu der conta e caso você caro leitor, tiver o mínimo de conhecimento sobre criação do sertão nordestino.

            Então vamos tentar entender.

Cabra[1] da raça pardal pina: cor cinza com chifres bem grandes, leiteira, o ubri[2] cumprido e pontiagudo.

Ovelha da raça Santa Inês[3]: As mais comuns são as que possuem lã, também de pelo de gato, não possui chifre.

Bode: É o pai do chiqueiro[4].

Marram: Filhote da cabra antes de pari, ou seja, uma mocinha.

Marram: filhote de ovelha antes de pari, ou seja, uma mocinha.

Burrega: Filhote de ovelha.

            Assim como eu, você caro leitor, deve estar se perguntando qual é a diferença entre as duas marrans.  Agora preciso explicar as fases da cabra e da ovelha.

Quando nasce a cabra nasce ela é reconhecida como cabrita, na meia idade, ou seja, mocinha, ela é reconhecida como marram. Já na fase adulta é reconhecida como cabra.

Já a ovelha quando nasce é reconhecida por burrega, na meia idade, ou seja, mocinha, ela é reconhecida como marram. Já na fase adulta é reconhecida como ovelha.

Acho que agora estamos começando a entender um pouco da cultura de criação do sertão nordestino. Mas nossa narrativa não será um tratado acerca de cabra, bode ou ovelha, mas da nossa saga atrás da cabra perdida.

Aviso a você, caro leitor, que essa narrativa não seguirá a norma culta da nossa língua, pois quero tentar ser fiel àqueles que me deu a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a cultura nordestina, meus assessores de assuntos de cabra. Pessoas que com grau baixo de estudo, mas que me mostrou um conhecimento popular do sertão tão rico que cadeira universitária nenhuma seria capaz de me dar.

Nas próximas linhas que se seguem vocês serão guiados por mim numa busca, não por uma cabra, mas por uma honra.  


Rodapé
[1]  Da raça Mocha (sem chifre), Também tem da raça xuita.
[2] Peito da cabra.
[3] Essa é uma raça de ovelha.
[4] É o reprodutor, marido da cabra.
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