Fantasmagórica (Por C. A. M.)

A luz opaca que a lua espelhava caía sobre as janelas transparentes, clarejando a dependência

Do palacete num tom anfigúrico e sombrio penetrante;

O chibante do vento batia às portas, assobiava às paredes e afugentava os quentes;

E lá no canto dentre caixotes que acatavam pecúlios,

Um pobre menino homem a afagar chamas duma fogueira planejada,

Atirava páginas de um calhamaço de capa dura escura,

E na capa marcada o nome de um erudita neura.

 

Uma aparição atravessa um corredor distante,

Vê-se seu brilho de longe, deveras radiante.

“Quem é esta que ousa atravessar meus claustros ao anoitecer?

Quem arroja-se a assombrar um jovem como eu?

Vá às taigas boreais

Procurar aquele os quais os sustos te satisfaz!”

 

A fantasmagórica figura sumia ao atravessar a madeira crua das paredes,

O telhado rugia do vento como leão ruge ao oponente,

O jovem os dentes batia, toda vez que vinha o frio numa corrente

E a cada palavra ousada, a assombração corajosa se aproximava.

 

“Cada passo dado é um motivo para ter Deus ao meu lado!

Vá embora agora, ou rezo dois pais nossos e uma nossa senhora!”

A criatura da noite ria com gosto, o jovem ainda tomava esforços.

“Se não saíres daqui agora, atiro a cruz do meu pescoço na senhora!”

O medo gelava a pele e o devaneava a mente,

Por fim, o fantasma mato-o, e nem soltou um grito ardente,

Agora a casa abrigava:

Dois fantasmas, um corpo morto e uma fogueira apagada.
 

 

 

 

 

 

 

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