contradição
yuri petrilli
e eu, que me apavoro ante a eternidade,
ainda sofro ante a fugacidade
de tudo quanto me proponho amar.
dentre as inconsistências, é a mais bela:
anseia permanências à janela,
e espia despedidas no alto mar.
são duas flores crescendo enroscadas
– estas predileções infortunadas –,
ferindo, uma a outra, em seus espinhos.
e eu, que me apavoro ante ao sangue vasto,
pinto certezas que depois devasto,
e em minhas mãos se quebram os caminhos.
como conter em mim isto que aspira,
se já me cinge o que em mim suspira
pelo repouso e o gozo de cessar?
que céus me darão melhores crepúsculos?
que silêncios me descansarão os músculos?
quanto será o bastante pra bastar?
sou como a erva que escorre do muro
ou como a estrela que morre no escuro,
precário pêndulo entre o nada e o isto.
sou um instante disperso que sinto
reverberar em um seio sucinto:
eis toda a dor e a beleza em que existo.
ainda sofro ante a fugacidade
de tudo quanto me proponho amar.
dentre as inconsistências, é a mais bela:
anseia permanências à janela,
e espia despedidas no alto mar.
são duas flores crescendo enroscadas
– estas predileções infortunadas –,
ferindo, uma a outra, em seus espinhos.
e eu, que me apavoro ante ao sangue vasto,
pinto certezas que depois devasto,
e em minhas mãos se quebram os caminhos.
como conter em mim isto que aspira,
se já me cinge o que em mim suspira
pelo repouso e o gozo de cessar?
que céus me darão melhores crepúsculos?
que silêncios me descansarão os músculos?
quanto será o bastante pra bastar?
sou como a erva que escorre do muro
ou como a estrela que morre no escuro,
precário pêndulo entre o nada e o isto.
sou um instante disperso que sinto
reverberar em um seio sucinto:
eis toda a dor e a beleza em que existo.
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