Escritas

Despedindo-me de ti, meu amor.

_tuliodias

Eu me encontrei no seu toque, 
no seu riso, na sua simplicidade e maturidade. 

O teu carinho iluminou a escura solidão da minha organicidade
eu te sentia, com você vivia, revivia.

Nossa longa e breve conversa,
o meu profundo e abismático amor,
me fizeram olhar pra ti, e de ti ter sede
eu quis, eu ainda quero, até o final deste poema, embriagar-me de ti.

Ainda aqui, até aqui, desejo-te
sinto a necessidade de ter teu corpo colado ao meu
da minha alma presa a sua, encarceradas na beleza e na tragédia
que resumem uma relação entre pessoas de cores distintas
mas não quero resumir-me a isto, 
quero expressar a minha subjetividade, e sim, pretos amam, pretos choram, pretos sofrem.

Meus dedos sentirão falta de tocar-lhe carinhosamente,
de acariciar-lhe por todo o corpo, de junto da tua mão, embarçar-lhes.

Meu corpo, até aqui, anseia o teu
meu prazer pulsa com teu prazer em cima do meu
entre sons de satisfação, eu me perdi totalmente naquilo que me ofereceste.

Contigo, vivi aquilo que entendi ser meu espaço também, o amor:
Meu amor, meu jeito de amar, de sentir, minhas singularidades.

Eu quero, até o fim deste poema, sentir-lhe dentro de mim,
eu anseio a tua existência junto a minha, eu quero estar dentro de você.

Mas. Mas. Mas, como eu norteio em viciosos ciclos do 'mas', despeço-me de ti, neste quente e congelativo poema, recordando-me das duas afetivas vivências juntos, mas é preciso seguir, seguir, seguir.

Nosso desencontro perdeu o encanto para você.
nosso desencontro perdeu o encanto para você.
nosso desencontro perdeu o encanto para você.

Despeço-me de ti na minha arte,
porque nela encontro refúgio
e encontro o amor da minha subjetividade: A solidão.

Nosso encontro sem lucidez,
tornou-se lúcido
e entre nós, esse espaço perdeu alguns passos.

Até o ponto final deste texto, amei-te
mas após este, segui entendendo que a minha existência não se condiciona a tudo que de fato quero, e que é preciso continuar sempre.

Obrigado. 
Eu segui.