Escritas

as notícias

yuri petrilli


cá neste Brasil confesso
que de cansado me apresso.

e o jornal lembra um romance
quando lido de relance:

fome, crime passional,
previsão do tempo e astral,

eventos mirabolantes,
gravatas beligerantes,

holocausto, pianista,
inferno, salada mista,

estética e tendência,
e uns mil mortos por doença;

leio-o sem nó na garganta,
no café, no almoço, na janta...

pois não há alma num número,
nem braço tem quem quebra o úmero

se se o lê numa contagem,
dentre tantos, é miragem,

teatral estripulia,
coluna de poesia,

ficção, melancolia,
mágica e demagogia.

melhor pular essa parte.
estou farto de tanta arte.

tchau, tchau, viu, senhor jornal?
(quase te pensei real).

quero arroz, feijão e vagem
e um pouco de sacanagem.

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