noturno contrito

noite,

rasga a camisa da pele
que visto,

mas pousa-me
um anel
de perdão
em meu bolso.

apedreja o vitral
dos meus olhos cansados,

mas dá-me
o sabor
do silêncio
partido.

cava-me o peito vazio
até não restar nada,

mas traz-me
de volta
um sonho
na concha
das mãos.

noite.
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