290 - SUTIL PROFUNDIDADE

Em mim agora irrompe a tempestade:
Relâmpago há nos olhos quando estronda
Trovão cá nesta boca mais redonda.
Um mar de lágrimas também me invade.

Então, não mais importa o quanto nade
Porque me traga sempre a reles onda.
Que o vórtice de angústia só me esconda
Na minha mais sutil profundidade.

E enquanto a vida ainda não avança
Eu já me engulo e logo me avolumo:
Não quero vir à tona na bonança.

Prefiro as profundezas em que sumo,
A agonizar com sede n'água mansa,
Sem velas e sem remos e sem rumo.

(Escrito em 01/10/2020)
192 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.