desassossego
yuri petrilli
em memória de fernando pessoa
Debruçado no dia para o qual desperto,
Fito o vazio com o olhar entreaberto,
Trajando-o de enleios da subjetividade
Que medra no solo da sensibilidade
Da minha alma pequena que visa ser grande,
Que em si mesma não cabe e em outras se expande.
Debruçado na tarde que em mim se entreabriu,
Sinto-me tal qual Soares, quando este viu,
Por detrás dos olhos de Fernando Pessoa,
A casaria ensolarada de Lisboa
Resplandecer seus sonhos na manhã nascente,
Com a vaga nitidez de um aceno ardente.
Debruçado na noite que logo em mim chega,
O cansaço dos olhos tristes versos lega.
Sinto-me, como do quadro da vida, o pó,
Com meus sonhos todos consumados num só:
O sonho de morrer para não mais sonhar,
Retribuir o aceno ao dia, e cessar.
E na carne do meu coração sinto a dor
Que um dia pousou no poeta fingidor,
No desassossego de Bernardo Soares,
Uma de suas almas, um de seus pesares,
Um sonho desdobrado à janela da vida
Que ora sinto através da palavra incontida.
Debruçado no dia para o qual desperto,
Fito o vazio com o olhar entreaberto,
Trajando-o de enleios da subjetividade
Que medra no solo da sensibilidade
Da minha alma pequena que visa ser grande,
Que em si mesma não cabe e em outras se expande.
Debruçado na tarde que em mim se entreabriu,
Sinto-me tal qual Soares, quando este viu,
Por detrás dos olhos de Fernando Pessoa,
A casaria ensolarada de Lisboa
Resplandecer seus sonhos na manhã nascente,
Com a vaga nitidez de um aceno ardente.
Debruçado na noite que logo em mim chega,
O cansaço dos olhos tristes versos lega.
Sinto-me, como do quadro da vida, o pó,
Com meus sonhos todos consumados num só:
O sonho de morrer para não mais sonhar,
Retribuir o aceno ao dia, e cessar.
E na carne do meu coração sinto a dor
Que um dia pousou no poeta fingidor,
No desassossego de Bernardo Soares,
Uma de suas almas, um de seus pesares,
Um sonho desdobrado à janela da vida
Que ora sinto através da palavra incontida.
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