Escritas

Metano-Alvorada

rodri_200
Quando abro as janelas,
não vejo o alvorecer,
pois lá fora são as roldanas,
o falcão arsênico,
a rosa liquefeita,
o jabuti-poliuretano,
a palmeira radioativa.

Das gaiolas erguidas no espaço
(hermeticamente grutas)
o ronco de mil gargantas nascidas
e o balido das guelras,
o voo das águias,
rugidos de ogros azuis,
deuses lantanídeos cobertos de pó e furor.

Ruge a masmorra onde evaporam os guaranis
e o jabuti no cárcere onde não há futuro
- só as polias convergindo grilhões, arrebatando
                        sombras, cachoeiras, juremas de hélio,
                                       jacus de carbono secando ao sol.
E do seio das cataratas, como uma horda,
a força hercúlea que se desdobra de mil pavões,
na densa Jaguariúna
- puérperas são as vacas nuas, exangues de céu e de tatus.


(Poema extraído do ebook Prece à Minerva, disponível nas lojas virtuais da Amazon, Cultura, Ubook, entre outras)
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