Escritas

SE EU MORRER AMANHÃ...

Vilma Oliveira
Se eu morrer amanhã
Ninguém irá se lembrar
Nada de mim irá restar
Nem a caridade cristã!

Irão todos festejar...
Ao lado do meu caixão
Num festim quase malsão
Irão sequer lamentar!

E, num acre deletério,
Levar-me-á ao cemitério,
Para o corpo enterrar;

Numa cova funda e fria,
Qual funerária sombria,
Para sempre irei ficar!
               II
Até que se complete inteira
Degeneração putrefata
O verme psicopata
Dessa terra carniceira...

Mastiga, engole, come,
Com apetite voraz...
Roendo os ossos, quer mais!
Mata a sede e a fome...

Na sombra dessa ossatura,
Jaz a treva mais escura,
Permanece a agonia;

Embora com a alma liberta,
Com a sepultura aberta,
Abraço a monotonia!
420 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment